A força da comunicação

Como as marcas podem ser úteis, dentro de suas missões e neste ambiente em que todo o resto parece menor quando comparado a uma emergência que nos força a um isolamento social inédito?

Em tempos de crise, a comunicação reafirma a sua importância como atividade social e econômica essencial para as relações civis.

É por meio dela que as pessoas compartilham conhecimento, criam identificação e formam seus grupos; que as marcas mostram seu lado humano, se relacionam e interagem com os stakeholders, gerando engajamento e empatia para construir reputação e negócios sustentáveis; que os veículos de mídia prestam serviços e levam ao público análises de especialistas e informações essenciais para a tomada de decisões profissionais e cotidianas, como temos visto durante a pandemia do coronavírus.

Em meio a uma disrupção sem precedentes quanto à volatilidade e incerteza que tem causado nas vidas e negócios, pesquisas de opinião ressaltam a confiança da sociedade em informações geradas por veículos reconhecidos por sua excelência. O Datafolha revelou, na semana passada, estudo no qual os programas jornalísticos de TV e rádios e as notícias de jornais impressos e sites são consideradas pelos brasileiros as fontes de informação mais confiáveis sobre a pandemia do coronavírus, enquanto os conteúdos amadores e enviesados compartilhados via WhatsApp e Facebook, por sua vez, são vistos com resguardo.

Esse resgate do respeito ao jornalismo, dentro de uma crise global de saúde, é ótima notícia: diante de uma questão grave, com impacto direto e imediato, em que a informação correta pode realmente salvar vidas, aumenta-se o rigor com a qualidade da informação que se consome e passa adiante, com a cobertura da imprensa ganhando crédito diante da indústria das fake news — um movimento contrário ao que temos visto, por exemplo, quando o assunto é política, um território mais sujeito a gostos, opiniões e a certa subjetividade, embora algumas de nossas mais altas autoridades insistam em inserir a pandemia como mais uma peça do tabuleiro ideológico.

Pesquisas recentes também comprovam o endosso do público às ações da iniciativa privada, sob o signo da cooperação, empatia e responsabilidade social. Decisões difíceis, em um contexto sem precedentes, estão sendo tomadas em todos os lares, e não apenas nas salas de reuniões de governantes usando máscaras cirúrgicas e videoconferências de empresários e executivos de multinacionais. Como as marcas podem ser úteis, dentro de suas missões e neste ambiente em que todo o resto parece menor quando comparado a uma emergência que nos força a um isolamento social inédito para as gerações que estão atualmente em posições de liderança?

Nessas horas, as agências devem, mais uma vez, provar seu valor incomparável como parceiras estratégicas na construção de marcas como atores socioculturais contemporâneos, alinhadas com o espírito do tempo, e não apenas como logotipos de organizações com fins lucrativos e objetivos puramente comerciais.

 

São dias difíceis para todo mundo, todos os setores, mas enquanto os prejuízos financeiros são inevitáveis e, sob diversos aspectos, até mesmo incontroláveis, neste momento, é preciso cuidar dos ativos intangíveis, aqueles que não estão fisicamente nas prateleiras dos pontos de vendas nem virtualmente nos balanços financeiros e portfólios de serviços, mas determinam o valor de uma empresa para a sociedade e seus cidadãos: as pessoas, a confiança e o propósito como corporação — variáveis que determinam a reputação, a relevância e a imagem de uma marca.

Fonte: 
Grupo Meio & Mensagem
          Jonas Furtado -Diretor de conteúdo do Grupo Meio & Mensagem
          30 de março de 2020 

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